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Olá! Recebi esta tarde por e-mail um excelente texto de Lucas Delgado, autor do livro “PAPIRUS P52 O PROFESSOR, O ENIGMA E A VIAGEM”, que gostaria de compartilhar com vocês!

Por_Que_Tarda_o_Pleno_Avivamento Para quem está querendo ler mais sobre o assunto, veja também o excelente livro de Leonard Ravenhill – Por que tarda o pleno avivamento? Vale a pena!

Segue o texto do Lucas:

Uma Jihad para Chamar de Nossa

Fazer guerras em nome de Deus é algo que acompanha a história da humanidade. Foi sob o pretexto da cristianização do mundo que se realizaram as cruzadas e boa parte das campanhas que dizimaram as populações pré-colombianas na América Latina. Pode-se dizer que por trás dos mais tristes episódios de genocídio registrados no Século XX, protagonizados pelos movimentos nazista e comunista, havia alguma orientação religiosa, ainda que de natureza negativa, ou seja, que se opera pela tentativa de impor a ausência de qualquer fé. Hoje, a faceta mais assustadora desse mal são grupos terroristas de inspiração fundamentalista islâmica, como o ISIS ou o Boko Haram.

Principalmente nesses últimos casos, a morte de crianças em praça pública, o sequestro de mulheres para exploração sexual e a degola de civis em frente às lentes do mundo encontram apoio na ideia da existência de uma batalha entre fiéis e infiéis, uma “guerra santa”, a Jihad.

Nas democracias ocidentais, a consolidação de instituições estatais como o Parlamento e o Poder Judiciário e o desenvolvimento de organizações sociais de representação de interesses (associações, sindicatos, igrejas e etc.) deslocaram a disputa política do campo de batalha para a tribuna, o púlpito e o parlatório. A espada, o escudo e a lança foram substituídos pela palavra, pelo discurso, pelo debate.

Pretendo refletir acerca do papel que a Igreja de Cristo no Brasil tem desempenhado neste contexto.

Há um forte movimento, no meio cristão evangélico, de construção de um discurso bem articulado doutrinariamente, voltado para exercer influência política. Seus porta-vozes são pastores influentes, cantores “gospel”, escritores cristãos e políticos integrantes da chamada “bancada evangélica” no Congresso Nacional. A representatividade desse projeto pode ser bem medida por ter viabilizado uma candidatura à Presidência nas últimas eleições gerais.

Ainda que se coloque como um discurso em defesa da família, sua estratégia é o ataque. Busca a condenação do homossexualismo e sua propaganda midiática, do aborto, da corrupção no Governo e por aí vai. As falas são fortes, afiadas e são replicadas pelos líderes e obreiros da Igreja local em cada culto, em cada pequena reunião, em cada grupo de WApp, o dia inteiro, o tempo todo.

Esse discurso redefiniu a identidade cristã nos dias de hoje. O cristão evangélico que se preza é o que tem o discurso mais agressivo contra o homossexualismo, o aborto, o PT, a Globo e suas telenovelas. Essa é a batalha que a Igreja está travando hoje e que cada irmão assume para si com gosto e smartphone em punho! É a nossa “guerra santa”, uma Jihad para chamarmos de nossa! Mas quem será que nos recrutou para ela? Será que ela é real? Qual o papel que ela tem desempenhado na prática?

Vejamos o que Zac Poonen nos ensina a respeito do funcionamento do Tribunal de Deus:

A Bíblia diz, aqui em Apocalipse 12:10, que “Satanás acusa os irmãos diante de Deus.” Agora, Satanás pode contar aos seres humanos muitas e muitas mentiras. Ele é um mentiroso. Mas ele não vai ousar contar uma mentira a Deus. Quando Satanás o acusa diante de Deus, de que você acha que ele te acusa? Você acha que ele inventa alguma história sobre algo que você nunca fez e tenta blefar com Deus? Satanás não é tolo assim. O que ele vai dizer a Deus sobre você é o que você realmente fez, o que estava errado. E ele está assistindo a sua vida com muita atenção. E quando você faz algo errado, ele vai a Deus e diz: “veja, isso é o que este sujeito fez e não é uma mentira. É 100% verdade.” E a mesma coisa ele diz sobre outra pessoa: “veja, o que esse sujeito fez por lá e é 100% verdadeiro.” Assim, vemos que as acusações que Satanás faz diante de Deus são todas 100% verdade, não 90%, mas 100%.
(…)
Jesus intercede por seus filhos, por seus irmãos e irmãs que falharam. Satanás os acusa. Você pode fazer uma escolha. Ou associe-se com Jesus e ore por eles ou junte-se a Satanás e acuse-os.

Diante do Senhor as funções estão todas bem definidas, Ele é o Justo Juiz, e há alguém especialmente incumbido dessa missão de apontar os erros alheios e perseguir suas condenações. Em nenhuma passagem, essa função de acusação é atribuída à Igreja.

“Estamos apenas mostrando para essas pessoas qual é o comportamento delas e a realidade da Palavra de Deus”, dizem alguns. Ocorre que, segundo o texto acima reproduzido, vemos exatamente quem é que adota esse modus operandi perante o Senhor. O inimigo nos acusa não somente pelas coisas que realmente fizemos, mas aponta para o Pai os nossos erros à luz da “realidade da Palavra de Deus”.

Como Paulo, dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor, porque como diz João, Ele é o nosso Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo!

O papel da Igreja não é o de assistente da acusação, a verdadeira identidade da Igreja instituída por Jesus é a santidade e o amor! Na verdade, qual é o mérito que alguém que pauta sua vida na Bíblia Sagrada tem em propalar que é contra o homossexualismo ou o aborto? A Palavra de Deus é hialina a respeito destas coisas, como se diz no brocardo, in claris cessat interpretatio!

Daí porque as pregações, sermões, discursos em pequenas reuniões e mensagens eletrônicas trocadas incessantemente entre cristãos a respeito desses assuntos são como chover no molhado. Estamos como Dom Quixote, lutando o duelo de nossas vidas contra um moinho de vento, enquanto o verdadeiro inimigo continua a agir, de forma silenciosa, subreptícia e ardilosa no nosso meio.

O avivamento não tarda porque a Igreja está deixando de colocar o dedo em riste na cara da sociedade para acusá-la, pelo contrário, é só o que fazemos todos os dias! O avivamento tarda porque a Igreja não se santifica e não ama os perdidos!

E aqui está o efeito mais pernicioso da “nossa” Jihad. Ela está monopolizando nossas atenções e esforços! Enquanto pastores, pais e mestres dedicam horas a fio para falar de obviedades, os pecados que aniquilam as vidas e famílias escapam pela tangente!

É só iniciar uma reunião de homens para tratar de honestidade, da necessidade de não sonegar impostos (e.g. lançamento de recibos “meio verdadeiros” na declaração de IR), não comprar produtos piratas, não mentir para esposa e filhos, por exemplo, para em cinco minutos alguém sacar do coldre o discurso acerca dos desmandos do PT.

É propor a confissão de pecados sexuais como a pornografia e o adultério, ainda que mental, que alguém logo desvirtua a discussão para a ameaça homossexual dentro dos nossos lares pela tela da televisão.

Fala-se em obras sociais, em levar socorro e misericórdia para órfãos e viúvas, e os voluntários e doações minguam. Convida-se para uma marcha política contra um determinado Projeto de Lei e as vans e ônibus ficam abarrotados!

Estamos tão preocupados em remover o argueiro dos olhos da sociedade que não conseguimos ver a trave que está nos nossos! Em todas as rodas, em todos os encontros sociais entre irmãos, não se conversa sobre outra coisa, a ordem do dia é a expansão gay, o papel pernicioso das telenovelas, a roubalheira no Governo e suas derivações!

Nesses momentos, as únicas coisas que nos diferenciam de uma roda de bar, são algumas garrafas de cerveja sobre a mesa e o fato de os pensamentos maliciosos a respeito das mulheres não serem verbalizados!

As perguntas derradeiras que deixo para reflexão são: quantas vidas a Igreja já ganhou com esse discurso? E você? Qual a guerra santa você está travando? Para vencer os seus próprios pecados e limitações? Ou para apontar o pecado do vizinho?