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O que a bíblia diz sobre o divórcio? O que você escuta por aí?

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O que a bíblia diz sobre o divórcio? O que você escuta por aí?

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O Divórcio, a Lei e Jesus
Walter L. Callison

O divórcio e o novo casamento são temas que geram muita discussão. O meu propósito é convidar o leitor a reconsiderar a atitude da Igreja em relação ao novo casamento. “A lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo” (João 1.17).

Será que os que estão sofrendo tragédias matrimoniais também receberam a graça, como descreve a Lei no Novo Testamento? É claro que afirmamos que a graça e a verdade vieram por Cristo Jesus. Então, como predomina a graça naqueles que sofreram a tragédia de um fracasso no matrimônio e um subseqüente divórcio?

Cristo não ensinou apenas com palavras, mas também com sua vida. Ele deu novas idéias a seus seguidores, rejeitando o antigo ditado: “olho por olho, dente por dente” e enfatizando o amor, não entre eles mesmos, mas em relação aos outros. Ele tirou a mulher da condição em que se encontrava para ser reconhecida como pessoa. Ensinou também o respeito para com a antiga lei judaica.

Quando estudamos o que Jesus disse acerca do divórcio, devemos também estudar a vida dos que tiveram seu casamento destruído, bem como o que ensinou sobre a lei judaica, especialmente a lei do divórcio. O que encontramos em suas palavras? Se uma pessoa é divorciada e se casa novamente, o que Jesus nos diz? “Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra aquela. E, se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete adultério?” (Mc 10.11-12).

Nós podemos imitar a natureza compassiva e misericordiosa de Cristo, que enviou a mulher samaritana até a cidade para ser sua testemunha. Suas palavras, no entanto, negam suas ações? Por acaso as pessoas divorciadas que casam com outras estão vivendo em adultério? Estão proibidas de servir a Cristo? Devemos igualmente ouvir as palavras do apóstolo Paulo: “É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher” (1 Tm 3.2). Será que ele está falando de uma pessoa que se divorciou ou casou novamente? Sobre este aspecto, Lucas faz somente um comentário muito conciso: “É mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da lei. Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério: e aquele que casa com a mulher repudiada pelo marido também comete adultério” (Lc 16.17-18).

Jesus deixou claro que o Antigo Testamento tinha algo significativo a dizer. Existe uma lei! Quando foi perguntado pelos fariseus, no Evangelho segundo Marcos, se “é lícito ao marido repudiar sua mulher”, Jesus respondeu com uma pergunta: “Que vos ordenou Moisés?” Tornaram eles: “Moisés permitiu lavrar carta de divórcio e repudiar” (Mc 10.2-4). Há uma lei! A lei se encontra em Deuteronômio 24.1-4, escrita bem antes de Jesus vir ao mundo. O historiador Flávio Josefo, que viveu um pouco depois da época de Jesus, referiu-se a ela como a “lei dos judeus”: “Aquele que deseja divorciar-se de sua esposa, por qualquer motivo (muito comum nos homens), deve registrar por escrito que nunca voltará a casar com aquela mulher. Portanto, ela terá a liberdade de casar com outro homem. Entretanto, enquanto essa carta de divórcio não lhe for dada, não poderá fazê-lo”. Esta é a lei de que fala Deuteronômio: “Se um homem tomar uma mulher e se casar com ela, e se ela não for agradável aos seus olhos, por ter ele achado coisa indecente nela, e se lhe lavrar um termo de divórcio, e lho der na mão, e a despedir de casa; e se ela, saindo de sua casa, for e se casar com outro homem…” (Dt 24.1-2).

Essa lei ainda estava vigente na época de Jesus. Portanto, temos de tratar dos “títulos” da lei. A Bíblia fala apenas de um divórcio. Deus diz que ele o providenciou. Em Jeremias 3, Deus recordou a Judá que estavam procurando problemas. Israel fora levado ao cativeiro. Deus disse a Jeremias que prevenisse a Judá de que a nação tinha sido testemunha da infidelidade de sua irmã Israel, e que Deus a havia mandado embora e lhe dado carta de divórcio; mesmo assim, Judá não se arrependeu (Jr 3.6-8).

Havia outras coisas que os homens podiam fazer com suas esposas. Muitos se casavam com mais de uma mulher, sem sequer se incomodar e sem pensar em divórcio. Alguns destes foram servos de Deus: Salomão, Davi, Abraão e Jacó, por exemplo. Heróis das revelações de Deus, mas também produto da sua cultura. Se não se divorciava, o que fazia um homem daquela época com a primeira esposa quando tomava outra? Punha-a de lado. Há uma palavra para isto no Antigo Testamento, a palavra hebraica shalach. Esta palavra é diferente da palavra traduzida para divórcio, que é keriythuwth (como em Jeremias 3.8), que literalmente significa excisão ou corte do vínculo matrimonial. O divórcio legal era escrito como pedia Deuteronômio 24, e o novo matrimônio era permitido. Shalach normalmente é traduzido por “repudiar”.

As mulheres eram “repudiadas” quando seu marido se casava com outra, para estarem disponíveis quando este necessitava dela ou a queriam novamente, repudiadas para serem sempre propriedade, como escravas, ou ficando em isolamento total. Eram dias cruéis para as mulheres. Elas eram “repudiadas” para favorecer outras, mas não lhes era dada carta de “divórcio” e, conseqüentemente, tampouco o direito de se casarem novamente. Essa palavra descreve uma tradição cruel e comum, mas contrária à lei judaica. Algumas das injustiças e do terror experimentados pelas mulheres daquele tempo que eram “repudiadas” podem ser vistas na descrição que o Langenscheidt Pocket Hebrew Dictionary (McGraw-Hill, 1969) faz da palavra shalach: “A fé cristã lançou raízes e floresceu em uma atmosfera quase totalmente pagã, onde a crueldade e a imoralidade sexual eram normais e onde a escravatura e a inferioridade da mulher eram quase universais. A superstição e as religiões rivais, com todo tipo de ensinos errados, existiam em todo o mundo”.

  • Deus odeia o “repúdio”.

O profeta Malaquias, com seu coração compadecido, implorou ao povo de Deus que parassem com isso. A palavra traduzida por “repúdio” em Malaquias 2.16 não é a palavra hebraica para divórcio, mas é shalach, repúdio.

Veja como Malaquias responde aos líderes que perguntavam como tinham cometido abominação em Israel e profanado a santidade do Senhor: “Perguntais: por quê? Porque o Senhor foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança. Não fez o Senhor um, mesmo que havendo nele um pouco de espírito? E por que somente um? Ele buscava a descendência que prometera. Portanto, cuidai de vós mesmos, e ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade. Porque o Senhor, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio e também aquele que cobre de violência as suas vestes, diz o Senhor dos Exércitos; portanto, cuidai de vós mesmos e não sejais infiéis” (Ml 2.14-16).

Depois veio Jesus, e suas palavras não negaram suas ações! Ele se referiu a isso quando disse: “Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério; e aquele que casa com a mulher repudiada pelo marido, também comete adultério” (Lucas 16:18). Todo aquele que faz isso comete adultério! Essa prática era cruel e adúltera, porém não se tratava de um divórcio. A palavra do Novo Testamento traduzida por “repúdio” vem do verbo grego apoluo. Esta é a palavra que os autores do Novo Testamento usaram como equivalente a shalach (“deixar” ou “repudiar”).

Existe uma palavra hebraica para divórcio no Antigo Testamento, keriythuwth, equivalente a uma palavra grega no Novo Testamento, apostasion. O Arndt/Gingrich Lexicon Del Nuevo Testamento indica apostasion como o termo técnico para uma carta ou escritura de divórcio, remontando até 258 a.C. Apoluo, a palavra grega que significa deixar de lado ou repudiar, não significava tecnicamente um divórcio, apesar de às vezes ser usada como sinônimo. Tratava-se de um termo de domínio total masculino: O homem com freqüência tomava outras esposas e não dava carta de divórcio quando abandonava as anteriores. A lei judaica que exigia que se concedesse carta de divórcio (Dt 24.1-4) era amplamente ignorada. Se um homem se casasse com outra mulher, quem se importava? Se um homem repudiasse (apoluo) sua esposa, sem incomodar-se de lhe dar carta de divórcio, quem se oporia? A mulher?

Jesus se opôs. Disse ele: “É mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da lei” (Lc 16.17). E: “Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério; e aquele que casa com a mulher repudiada pelo marido também comete adultério” (Lc 16.18).

A diferença entre “repudiar” e “divorciar” (no grego apoluo e apostasion) é crítica. Apoluo indicava que a mulher era escrava, repudiada, sem direitos, sem recursos, roubada em seus direitos básicos ao casamento monogâmico. Apostasion significava que o casamento terminava, sendo permitido um casamento legal subseqüente. O papel fazia a diferença. A mulher que tinha saído de casa podia casar-se com outro homem (Dt. 24.2). Essa era a lei.

Existem outras passagens, além de Lucas 16.17-18 em que Jesus falou desse assunto. Essas incluem Mateus 19.9, Marcos 10.10-12 (onde Marcos diz que Jesus determinou a validade da lei do homem igualmente para a mulher) e Mateus 5.32. Nessas passagens Jesus usou onze vezes alguma forma da palavra apoluo. Em todas as ocasiões Ele proibiu o apoluo, o repúdio. Ele nunca proibiu apostasion, a carta de divórcio, requerido pela lei judaica.

  • Devemos traduzir a palavra grega apoluo por “divórcio”?

Kenneth W. Wues, em sua tradução expandida do Novo Testamento, sempre vertia “repudiar” ou “deixar”, nunca “divorciar”. A tradução Revista e Corrigida de Almeida, a mais antiga em português, sempre usou “deixar” ou “repudiar”, da mesma forma a Revista e Atualizada.

Na versão mais antiga em inglês, produzida em 1611 por encomenda do rei Tiago (King James) temos um problema: Em uma das onze vezes em que Jesus usou o termo, os tradutores escreveram “divorciada” em lugar de “repudiada” ou “abandonada”. Em Mateus 5.32 eles escreveram: “E aquele que casar com a divorciada comete adultério”. A palavra grega não é apostasion (divórcio), mas é uma forma de apoluo, a situação que não inclui carta de divórcio para a mulher. Ela, tecnicamente ainda estaria casada.

Mateus 19.3-10 relata que os fariseus perguntaram a Jesus sobre esse assunto. Depois que ele afirmou: “De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem” (v 6), eles indagaram: “Por que mandou então Moisés dar carta de divórcio (escrita apostasion) e repudiar a mulher?” (v 7). Jesus respondeu: “Por causa da dureza do vosso coração” (v 8).

O primeiro direito básico humano que Deus nos concedeu foi o de nos casarmos. Nenhuma outra companhia era adequada. Nos dias de Jesus os direitos humanos estavam concentrados apenas nos homens. Jesus mudou isso. Ele exigiu obediência à lei: Demandou direitos iguais para a mulher no matrimônio.

A graça é abundante em Cristo Jesus! Jesus disse àqueles homens que repudiar a esposa e casar-se com outra era adultério. Adultério! A lei (Dt 22.22) prescreve a pena de morte como castigo para o adultério, tanto para o homem como para a mulher. Isso foi difícil de engolir para os homens que faziam com sua mulher o que lhes comprazia. Mateus 19.10 registra a seguinte reação: “Se essa é a condição do homem relativamente à sua mulher, não convém casar!” Eles não viviam em uma cultura que esperava que o homem vivesse apenas com uma mulher por toda a vida, muito menos que desses direitos iguais à mulher se o casamento acabasse.

  • Como foi que começamos a ler “aquele que se divorciar sua mulher” nas passagens em que Jesus, na verdade disse “aquele que repudiar ou abandonar sua mulher?”

Parece que o processo começou ali onde apoluo foi traduzido erroneamente como “divórcio” pela primeira vez, em 1611. A versão Standard Americana corrigiu o erro em 1901, mas nunca chegou a ser suficientemente popular para fazer muita diferença. Wuest teve o cuidado de evitar os erros mencionados, como vimos acima. Porém quase tudo o que foi impresso sofreu a influência da versão King James, e parece que até os léxicos gregos americanos e os tradutores mais modernos se deixaram influenciar por essa ocorrência, traduzindo apoluo por “divórcio”, mesmo quando o significado da palavra não inclui o divórcio por escrito (apostasion). Assim, a tradição nos ensinou a ter em mente “divórcio”, mesmo quando lemos “repúdio”.

  • Seria o divórcio por escrito a solução para a prática cruel do repúdio, como indica Deuteronômio?

O capitulo 24 é uma evidência de que, assim como Deus ouviu as queixas no Egito e proveu libertação da sua escravatura, também ouviu as súplicas das mulheres escravizadas e as libertou do abuso, por meio de uma necessidade trágica, o divórcio. Trágica, porque termina com algo que nunca deve terminar: o matrimônio; necessária, para proteger as vítimas daqueles que não obedecem às regras do nosso Criador, o Todo-Poderoso. Necessária, originalmente porque o homem repudiou a mulher, enredando-as em matrimônios ilegais, múltiplos e adúlteros. O divórcio é uma tragédia.

O divórcio é um privilégio, previsto como um corretivo para situações intoleráveis. É um privilégio que pode ser e, com freqüência, é abusado. O divórcio não é um quadro bonito, na maioria dos casos. Solidão, rejeição, um profundo senso de ter falhado, perda de auto-estima, crítica dos familiares, problemas com a educação dos filhos e muitos outros problemas assaltam os divorciados. O divórcio pode ser mais traumático que a morte de um cônjuge. A morte do cônjuge é difícil de ser superada, mas um cônjuge falecido não retorna mais. O divorciado normalmente retorna, e assim prolonga a situação.

O divórcio é, porém, como no tempo de Jesus, uma solução parcial para uma situação séria e cruel, e pode ser a única solução razoável. Pode ser necessária, mas sempre é uma tragédia. É fácil pregar contra o divórcio, mas é difícil para a igreja ser construtiva, provendo preparo para o casamento. Temos de estar prontos para prevenir alguns divórcios, ajustando nossas leis de divórcio ou proibições religiosas contra o divórcio, mas essas ações não prevêem o rompimento de matrimônios. Quando os casais permanecem juntos somente por preocupação com a notoriedade requerida pelas leis de divórcio, ou pela “segurança dos filhos”, o resultado pode ser uma tragédia. Desastrosos triângulos amorosos, crueldade doméstica, abuso de crianças, homicídio e suicídio são algumas das conseqüências documentadas de casamentos que falharam, mas não terminaram. Que opção mais terrível!

Um lugar em ruínas é uma tragédia, mas nunca esquecerei de um jovem que pôs uma pistola na boca, acabando, assim, com seu casamento como alternativa ao divórcio. Sua igreja tinha proibido o divórcio. Nossa taxa elevada de divórcios não é um problema real. O fracasso nos casamentos vem primeiro, depois o divórcio.

A taxa de divórcios é indício da nossa alta taxa de casamentos ruins. Para corrigir isso temos de fazer mais do que pregar contra o divórcio: temos de revigorar os casamentos. Esse é o nosso desafio!

  • Uma pessoa divorciada pode ser ordenada diácono ou pastor?

O apóstolo Paulo, um homem instruído, conhecia a palavra grega para divórcio (apostasion) e conhecia sua cultura. Também sabia que Cristo aceita qualquer pessoa, até ele, o “maior dos pecadores” (1 Tm 1.15). É inquestionável que, naquela época os homens tinham muitas esposas, escravas e concubinas. Cada uma dessas relações, abarcadas pelo termo poligamia, constituía adultério. Paulo rejeitou a escolha de homens nessa condição como líderes da igreja. A instrução de dar carta de divórcio em Deuteronômio 24 limitou o homem a uma só mulher, e ainda proibiu a poligamia e o adultério inerente a ela. Parece que Paulo concordava plenamente com isso quando diz: “É necessário, portanto, que o Bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar…” (1 Tm 3.2). Ele rejeita a poligamia, não o divórcio. Apesar de sérios abusos, a lei do divórcio (Dt. 24) ainda tem validade.

O divórcio é uma solução radical para problemas maritais insuperáveis. Ele termina com toda a esperança de que o matrimônio deve ser conservado, e declara publicamente que ele falhou. É preciso estar contrito nesse momento da verdade. O pecado relativo a essa falha tem de ser confessado. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça” (1Jo 1.9). Isso também inclui o perdão de fracassos no casamento.

Ao contrário do repúdio, a carta de divórcio, exigida pela lei, provê um grau de dignidade humana para mulheres sujeitas ao abuso cruel da poligamia adúltera e aos caprichos de homens de coração endurecido. Não há nada tão atordoante como “Quero divorciar-me de você”, não é verdade? O divórcio declara o término legal do matrimônio, portanto, se houver qualquer acusação de adultério ou bigamia, qualquer das partes pode voltar a casar-se novamente. O divórcio rompeu todos os laços maritais e todo controle da esposa anterior. O divórcio exigia monogamia estrita, prevenia o término unilateral e preservava o direito básico de casar-se. O mesmo ocorre hoje: abandono, negligência, deserção, o que se queira dizer do coração duro, que deixa a esposa por outra mulher sem divorciar-se, foi e está proibido pelo mesmo Senhor Jesus Cristo (Mt 5.32; 19.9; Mc 10.11-12; Lc 16.18).

Durante séculos, muitas comunidades cristãs têm interpretado esses ensinos de Jesus da seguinte maneira:

1. O divórcio é absolutamente proibido, ou melhor, é permitido somente no caso em que se admite ou comprova o adultério.

2. Uma pessoa divorciada não tem permissão para casar novamente;

3. Uma pessoa divorciada que casa novamente vive em adultério;

4. Alguém que se divorcia não pode ser ordenado diácono ou pastor.

Todas as pessoas que mantêm essas convicções estão erradas.

As três primeiras são contrárias à lei de Moisés e estão baseadas em um versículo em que Jesus nem sequer usou a palavra grega para divórcio (apostasion); a quarta está baseada em um versículo em que Paulo também não a usou. A palavra que Jesus usou foi “apoluo”, repudiar.

O problema do qual Jesus estava tratando é o repúdio, não o divórcio. Uma pessoa divorciada deve ter muita graça e determinação para servir em uma igreja que adota as quatro posições mencionadas acima. Como isso é possível, quando a Igreja é o corpo de Cristo na terra, que deve funcionar e servir como ele o fez em pessoa?

Cristo, que aquela vez levantou sua voz em Jerusalém, precisa olhar do céu para baixo e levantar a voz para nós. Ele veio e chamou Simão o zelote, um radical anti-romano, e Mateus, um rejeitado servo de Roma, uma dupla tão incompatível como dificilmente se pode encontrar em nosso mundo de hoje; mas ele os pôs para trabalhar juntos em seu Reino. Depois eles foram para Samaria. Ele se revelou diante de uma mulher cujos antecedentes de fracassos matrimoniais eram vergonhosos, e enviou-a para compartilhar a revelação de Deus em Cristo, como se ela fosse como qualquer outra pessoa.

Ele tem de levantar sua voz quando vê que desperdiçamos nosso tempo tentando calcular a quem podemos proibir de servir em sua igreja. Jesus ministrou abertamente a todos os que se achegaram a ele.

Hoje, muitos dos nossos amigos divorciados têm medo das nossas igrejas. Eles sabem que alguma coisa não combina com a Bíblia, em nosso ensino sobre divórcio. Podemos estar corretos, estando tão opostos a Cristo?

Nossas interpretações tradicionais nos separam das pessoas que receberam a Cristo? Se for assim, estamos equivocados. Ele veio para salvar os pecadores. As únicas pessoas que ele sempre rejeitou foram os que queriam justificar a si mesmos, os religiosos “justos”. Será que nossa compreensão das suas palavras é correta, simplesmente porque não está de acordo com a sua vida? Pessoas divorciadas são gente! Por séculos, elas têm sido excluídas da comunhão e do serviço, da alegria e da igualdade, e até da salvação; pessoas pelas quais Cristo morreu. Seja o divórcio pecado ou não, essa exclusão com certeza o é! O Senhor nos deu a sua graça para sermos canais da graça de Cristo Jesus para os divorciados.

Walter L. Callison

Ricardo Cruz
Ricardo Cruz

Discípulo de Jesus, andando nessa terra representando ele. Todos devemos estar aptos a ir pregar o evangelho, batizar nas águas, no Espírito Santo, curar enfermos, expulsar demônios, falar novas línguas e fazer novos discípulos ensinando-os a obedecer tudo que Jesus ensinou. Hoje o estilo de vida cristão está cada vez mais perto do que vemos no livro de Atos. É o que chamamos de Estilo de Vida Cristão normal. Você vai amar. Deixa o rio fluir.

20 Comments
  • aparecida
    Responder
    Posted at 16:00, 14 de junho de 2010

    Parabéns pelo estudo é esclarecedor!

  • luciano soares
    Responder
    Posted at 19:00, 4 de julho de 2010

    Gostei muito do artigo e da maneira como foi exposto um tema tão complexo em discussão nas igrejas e seminários.
    Todavia, percebi que o que nos falta é fundamentação bíblica para discutir o assunto e, principalmente, um conhecimento melhor dos originais grego e hebraico, como foi aqui explicitado.

  • Sérgio L. B. Flor
    Responder
    Posted at 22:05, 15 de agosto de 2010

    O texto é realmente esclarecedor, fundamentalmente para aqueles que querem viver à luz dos preceitos universais. Também fiquei com a impressão de que devemos aumentar a compreensão dos termos hebraicos e gregos da bíblia.

  • Wellington
    Responder
    Posted at 15:03, 4 de outubro de 2010

    Gostei do texto. Achei bem fundamentado, entretanto, Romanos 7 parece dizer que apenas a morte pode dissolver um casamento, quando diz que a mulher casada está liga pela lei ao marido enquanto ele for vivo, de sorte que, casando-se com outro estando o marido vivo comete adultério. Rom. 7. 2,3. O que pensa o autor desse texto?

    Grato.

    • jbatista
      Responder
      Posted at 16:57, 2 de Janeiro de 2014

      pela lei de israel a mulher estava ligada ao marido enquanto ele vivesse,pois a mulher não podia pedir divorcio.só isso,entendo.

    • Milly
      Responder
      Posted at 15:18, 30 de agosto de 2017

      Romanos 7 esta estritamente falando do casamento! Se vc esta num novo casamento entao estao ligados ate a morte!A menos q se divorciem como a lei! Estaram ligados pelos votos! Isso pq as pessoas nao se divorciavam e paulo advertium assim é o contexto desse texto!

  • Albano
    Responder
    Posted at 00:22, 11 de Março de 2011

    Não tendes lido que o Criador os fez desde o princípio homem e mulher,
    5 e que ordenou: Por isso deixará o homem pai e mãe, e unir-se-á a sua mulher; e serão os dois uma só carne?
    6 Assim já não são mais dois, mas uma só carne. Portanto o que Deus ajuntou, não o separe o homem.
    7 Responderam-lhe: Então por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio e repudiá-la?
    8 Disse-lhes ele: Pela dureza de vossos corações Moisés vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas não foi assim desde o princípio.

    Ele sempre mostra o princípio!!!
    Notemos que Ele fala sobre o perdão no capítulo 18, sendo este o motivo do questionamento dos fariseus!!

    Entendo que se O Mestre estivesse apoiando uma separação, ou divórcio, os apóstolos, que melhor conheciam a Jesus, e que também eram fiéis a lei de Moisés, por serm judeus, não agiriam do modo como agiram, espantados e perplexos questionando ao Nosso Senhor!

    10 Disseram-lhe os discípulos: Se tal é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar.
    11 Ele, porém, lhes disse: Nem todos podem aceitar esta palavra, mas somente aqueles a quem é dado.
    12 Porque há eunucos que nasceram assim; e há eunucos que pelos homens foram feitos tais; e outros há que a si mesmos se fizeram eunucos por causa do reino dos céus. Quem pode aceitar isso, aceite-o.
    Um forte abraço a todos!!!

    • Milly
      Responder
      Posted at 15:20, 30 de agosto de 2017

      Obviamente o susto era sobre a forna como era tratado o assunto, pq p eles tbm eram comum o repudio! So releia os textos e veras como é claro, a dificuldade é q inculraram uma ideia que n é o central nessa passagem!

  • Posted at 08:46, 12 de Março de 2012

    o texto de romanos 7 fala aos judeus crentes o texto é um alusão a lei e não ao casamento vers 01 diz NÃO sabeis vós, irmãos (pois que falo aos que sabem a lei)
    o texto fala da morte o marido para a esposa casar com outro pois não podia ter 2 maridos assim seria chamada adultera
    da mesmo forma teriam que os judeus fazerem morrer a lei em seus coraçoes para se casarem ou terem cristo como seu marido .não poderiam ter a graça
    e a lei juntas em seu viver ou coração .
    veja o verso
    4 Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que SEJAIS DE OUTRO, daquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus.
    agora colocaremos se fosse mesmo no literal Deus condenando o divorcio
    no verso ja teria sido abolido essa lei no mesmo capitulo e contexto no verso.
    6 Mas agora temos sido libertados da lei, tendo morrido para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra.

  • Posted at 09:04, 12 de Março de 2012

    Repudio no Antigo Testamento e divorcio é a mesma coisa leiam
    Deuteronomio CAP 24 VERSOS 01 e 02
    QUANDO um homem tomar uma mulher e se casar com ela, então será que, se não achar graça em seus olhos, por nela encontrar coisa indecente, far-lhe-á uma carta de repúdio, e lha dará na sua mão, e a despedirá da sua casa.
    Se ela, pois, saindo da sua casa, for e se casar com outro homem

    VEJA QUE MOISES NÃO ESCREVEU CARTA DE DIVORCIO E SIM DE REPUDIO NOS TEXTOS ACIMA.

    JA em Mateus 19 09 jesus cristo fala de repudiar no mesmo sentido de divorcio
    Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério.
    no nosso pais mesmo só se casa de novo mediante a carta de divorcio senão não a como casar de novo.

  • Posted at 20:29, 12 de Março de 2012

    DIVORCIO SIGNIFICA FINAL TOTAL DE COMUNHÃO DE CORPO E ALMA E BENS COMO O CONJUGE ASSIM A PESSOA FICA LIVRE E SENDO LIVRE PAULO FALA ASSIM

    1 CORINTIOS
    27 Estás ligado à mulher? não busques separar-te. Estás livre de mulher? não busques mulher.
    28 Mas, se te casares, não pecas; e, se a virgem se casar, não peca. Todavia os tais terão tribulações na carne, e eu quereria poupar-vos.

    MAIS DEIXO CLARO IRMAÕS QUE TENHO NOJO DO DIVORCIO MAIS DIZER QUE UMA PESSOA LIVRE NÃO PODE SER CASAR
    TEM QUE TER MUITO ARGUMENTO PARA ISSO PARA
    CONTRARIAR A BIBLIA E FAZ O HOMEM OU MULHER MAIS PACIENCIAS OU TEMPERANTES QUE O PROPRIO DEUS POIS O SEHNOR DIVORCIOU DE ISRAEL 2 VEZES.

    “E vi que, por causa de tudo isto, por ter cometido adultério a rebelde Israel, a despedi, e lhe dei a sua carta de divórcio, que a aleivosa Judá, sua irmã, não temeu; mas se foi e também ela mesma se prostituiu.” (Jeremias 3 : 8)

  • felipe
    Responder
    Posted at 13:21, 27 de Março de 2012

    Amados irmãos, estou completando 6 anos de casamento, mas desde o primeiro ano tenho tido muitas lutas, me decepcionei com minha esposa logo nos primeiros meses, não conhecia o lado materialista e individualista dela ( coisas que não eram visíveis no namoro ) juntando a isso tem o não desligamento dos pais, ela deve honrar os pais, mas toda a decisão dela tem total influencia deles. Eramos membros de uma pequena igreja que não tinha meios de nos ajudar, fomos para uma onde tem toda uma estrutura para casais, um ministério só para isso e um curso de 4 meses ( casados para sempre), o problema é que ninguém fala diretamente onde estão os erros, mas sei que todos estão cientes dos erros( eles falam comigo quando ela não está ), mas acabam levando com total diplomacia, com muito cuidado, mas dei permissão para que eles mostrassem os meus erros e os delas, só que ninguém falou, me disseram que faz parte da postura do ministério, com isso a minha esposa acha que está totalmente certa, não muda uma vírgula de suas atitudes. Agora o único pensamento que tenho é a separação, depois de 6 anos de lutas estou exausto, sei que o cristão não deve separar, mas sinto que não a amo mais, e com isso está acabando o respeito. tenho vivido uma vida infeliz, muitos devem achar que devo continuar, mas não consigo, não tem mais por onde fazer, estou esgotado emocionalmente, e não quero viver mais 50 anos sendo infeliz.
    Gostaria de saber a opinião dos amados irmãos, um abraço, em Cristo.

    • pedraangular
      pedraangular
      Responder
      Posted at 11:08, 27 de Abril de 2012

      Felipe, graça e paz.
      Deixará a mulher pai e mãe para se unir ao marido, não é isso que a bíblia diz?
      Porém a bíblia também diz o que é o amor. É paciente, é benigno, não busca os próprios interesses, etc. Busque esta passagem!
      O problema meu irmão, não é alguém apontar os erros, é conhecer a vontade do Senhor e se entregar a ela.
      Vocês estão buscando os próprios interesses, e não é essa a vida que o Senhor tem para nós, cristãos. Aquele que quer ser o maior, sirva aos outros.
      No casamento, devemos servir.
      Você vive um casamento cristão como um ímpio vive o casamento dele, e assim, realmente você estará exausto e sem forças.
      Como cristão, você crescerá, se transformando pela renovação da sua mente, e adquirindo o carácter de Cristo. Mesmo que após você não tenha mais o foco no reconhecimento, ele virá pela sua transformação, e não por alguém lhe apontando o que vc já sabe e não quer mudar.
      A luz de Cristo brilhando em nós, ilumina toda a casa, remove as sombras, e leva os outros a luz. Você é o sacerdote do lar, e deveria começar a buscar isso em sua vida.
      Quer ser cristão?
      Amai a vossa esposa, assim como Cristo amou a igreja. E te garanto que Jesus já passou dos 50 anos suportando MUITA COISA, porém, não infeliz.

      Que Ele te abençoe, e caso precise de ajuda, estamos aqui para ajudar.
      Homens, me procurem no:
      [email protected]
      Mulheres, também, mas redirecionarei.

      Ps. Sugiro vocês assistirem um filme chamado: “A prova de fogo”. Caso não encontre, procure no http://www.youtube.com

      Em Cristo,

      Ricardo

  • felipe
    Responder
    Posted at 23:00, 9 de Abril de 2012

    por que não postaram o meu comentário ?

  • Benjamin Avelar
    Responder
    Posted at 14:06, 28 de novembro de 2012

    Por favor, me esclareçam uma dúvida: Sou viúvo, conheço uma pessoa divorciada, mas não posso casar com essa pessoa, vindo o ex-marido dela falecer, essa pessoa não se tornaria viúva? Poderia ela casar novamente?

  • jbatista
    Responder
    Posted at 17:26, 2 de Janeiro de 2014

    CONCORDAR COM DIVORCIO NEM SEMPRE É CONCORDAR COM O DIABO.POIS DESDE A FUNDAÇÃO DO MUNDO ,ANTES MESMO DA QUEDA,O HOMEM JÁ ERA VULNERÁVEL AO PECADO,IMAGINA HOJE EM DIA.
    ACREDITO QUE SE A VERDADE FOSSE ENSINADA NA ÍNTEGRA ,SEM QUERER DAR AQUELA AJUDINHA PARA DEUS,TERÍAMOS CASAMENTOS COM MAIS QUALIDADES.POIS DO JEITO QUE SE ENSINA NA MAIORIA DAS IGREJAS : QUE SÓ PODE HAVER SEPARAÇÃO EM CASO DE ADULTÉRIO.
    DESSA FORMA MUITOS IRRESPONSAVEIS PRATICAM OUTROS TIPOS DE COVARDIA COM O PARCEIRO E AINDA SE JULGAM FIÉIS,COMO POR EXEMPLO CHINGAM E AMALDIÇOAM E OUTRAS COISAS MAIS ,TORNANDO SEUS LARES COMO NINHOS DE SATANÁS.NEM O DIABO VAI QUERER DIVÓRCIO DE TAIS PESSOAS.
    [email protected]

  • Alex_Silva
    Responder
    Posted at 15:13, 1 de dezembro de 2014

    Mas a palavra usada em Deuteronômio 24 quando a carta de divórcio é instituída é “Shalach” e não “keriythuwth”. (???)

  • Posted at 20:50, 16 de junho de 2015

    Achei interessante este comentário do Pastor Fernando Cesar

    Essa semana ouvi, pela Internet, uma ministração de um pastor muito bem conceituado no meio protestante pela dureza e rigor com que ensina. Ele ministrou sobre um tema que me é muito familiar: casamento e recasamento de pessoa divorciada. Segundo o conhecimento que tenho do assunto, a ministração estava quase perfeita.

    Quase, não fossem, no mínimo, dois grandes equívocos cometidos pelo pregador. Digamos que a pregação está 99,8% perfeita. Mas tudo o que está 99,8% perfeito, não é perfeito, mas QUASE PERFEITO. Esse QUASE constitui uma mácula de imperfeição, produto meramente humano e carnal, quase imperceptível, se o ouvinte não estiver inteiramente convencido da plena Verdade sobre o tema ministrado. O QUASE é tão sutil que muitos desatentos dirão que o que foi pregado está perfeito.

    Tudo o que sai do coração de DEUS para a boca de qualquer homem não pode ser produto quase perfeito, mas totalmente perfeito. Caso contrário, não foi o Espírito Santo que o inspirou. E como bem o apóstolo Paulo nos ensinou, devemos examinar tudo e reter apenas o que for bom, útil e precioso para a nossa alma (1 Tessalonicenses 5:21). O homem não só pode se equivocar, como vai se equivocar. Até que ele aprenda a ser um vaso totalmente dependente do SENHOR, vai, em sua precipitação, se colocar muitas vezes no lugar do Espírito Santo. Mas o SENHOR lhe dará oportunidade de se arrepender, de corrigir e de consertar o que fez ou disse de errado em algum momento de sua vida. Essa é uma atitude graciosa e digna de qualquer homem de DEUS.

    Quantos pastores antigamente criam de uma maneira e, com o passar do tempo, passaram a crer de outra? Eu conheço vários, inclusive, famosos, catedráticos. O triste é quando essa mudança representa um retrocesso: o homem começa pregando o que é certo, e por conta de alguns fatores, termina corrompido nos princípios corretos, cego espiritualmente, disseminando heresias pelo mundo como se fossem verdades de DEUS. Mas é preciso que o ouvinte ou o leitor esteja muito preparado no conhecimento sagrado, cheio do Espírito Santo, para conseguir discernir as sutis heresias que são ditas e escritas por muitos pastores. Se ele não tiver revestido dessas duas ferramentas, certamente será de pronto enganado pelas palavras quase perfeitas do pregador.

    Na pregação a que assisti, com pouco mais de uma hora de duração, detectei, à luz da Palavra de DEUS, dois erros, contradições, equívocos claros:

    1) Sobre a existência do divórcio bíblico. Em quase todo o tempo, o pastor utiliza exaustivamente o termo divórcio na Bíblia Sagrada. Até aí, tudo bem, visto que, em qualquer versão ou tradução bíblica existente na atualidade, esse termo se faz presente. Em umas, mais, em outras, menos. Por tudo o que já estudei e aprendi da parte de DEUS, estou convencido de que o instrumento civil intitulado DIVÓRCIO, que dá direito a um cônjuge se separar e se casar com outra pessoa, nunca existiu nos tempos bíblicos. O que havia, na verdade, era um instrumento informal de repúdio, escrito à mão, dado pelo marido à esposa, como cláusulas de permissão mosaica, especialmente em dois casos: a) em casos de o marido ter visto coisa indecente na sua esposa; b) em casos de ela ter cometido FORNICAÇÃO antes da relação sexual com o seu marido. Daí a existência do LIBELO DE REPÚDIO ou CARTA DE REPÚDIO. Nunca Carta de divórcio como está hoje traduzido em todas as bíblias de Língua Portuguesa. Se pegarmos qualquer tradução bíblica, anterior à existência do Projeto de Lei do Divórcio no Brasil, veremos que o termo existente era DESQUITE. Porque era esse instrumento legal, civil, existente na época. Somente depois da discussão acerca do divórcio e a aprovação da sua Lei em 1977, o vocábulo divórcio passou a aparecer com mais frequência nas traduções (o termo desquite desapareceu completamente), até que, em uma tradução específica, a Nova Tradução na Linguagem de Hoje, ele aparece exageradamente. Explicado esse ponto, voltemos para a ministração do pastor. Após citar muito o termo divórcio na Bíblia, em dado instante, ele afirma que o divórcio só existiu, no mundo, a partir dos séculos XV e XVI, e que antes disso não havia divórcio. Ora, se até os séculos citados não havia divórcio no mundo (o que é verdade. É importante ler o livro O DIVÓRCIO, de Rui Barbosa), por que, então, ele o citou exaustivamente ao ler os versículos em sua Bíblia? Foi uma contradição aberta, velada e absurda.

    2) O único motivo que desfaz um casamento. Chega a doer nos tímpanos a quantidade de vezes em que o referido pregador afirma que a única coisa que desfaz um casamento é a MORTE. E nisso ele está certíssimo. Segundo a exegese bíblica e o conhecimento da vontade de DEUS, nenhum outro motivo destrói, apaga uma aliança matrimonial que não seja a morte: nem adultério, nem coisa indecente, nem fornicação, nem a mentira, nem a falta de sentimentos. Nada. A sã doutrina é radical nesse assunto, embora a Confissão de Fé de Westminster, aprovada em 1643 pelo Parlamento Inglês, no seu Artigo VI, afirme que há duas causas para a destruição de um casamento: 1) o adultério; 2) o repúdio. Essa Confissão é extremamente respeitada e obedecida pelos calvinistas, especialmente os presbiterianos mais tradicionais, e contaminou os demais segmentos protestantes pelo mundo. Mas o SENHOR DEUS diz que essas razões NÃO DESFAZEM nenhum casamento. Só a morte poderá desfazê-lo, conforme se lê em Romanos 7:2-3 e 1 Coríntios 7:39. Não podemos abrir nenhuma exceção para aquilo que o SENHOR “bateu o martelo” definitivamente. Bem no finalzinho da pregação, o querido pastor ilustra uma situação em que alguém chega para ele e diz que se divorciou da primeira esposa e casou com outra no tempo da ignorância, quando não conhecia os ensinamentos do SENHOR, querendo saber o que deveria fazer mediante essa realidade. Ora, o pastor aconselha a esse homem, até com filhos envolvidos com a segunda mulher, a permanecer do jeito que está, porque quando se divorciara da primeira e se casara com a segunda, fizera ignorantemente. Surgem, então, algumas perguntas que devem ser levadas para análise: A IGNORÂNCIA DE UMA PESSOA FAZ COM QUE UM PECADO DEIXE DE SER PECADO? A IGNORÂNCIA, ACASO, É MOTIVO DE DESTRUIÇÃO DO PRIMEIRO CASAMENTO? SE, SIM, ONDE TEM ISSO NA BÍBLIA? QUANDO ACABA, DE FATO, O TEMPO DE IGNORÂNCIA DE UM HOMEM? SERÁ QUANDO ELE ADENTRA UM TEMPLO PROTESTANTE E “ACEITA JESUS” E PASSA A FAZER PARTE DAQUELA DENOMINAÇÃO? OU QUANDO ELE CONHECE A VERDADE, ABANDONA O PECADO E TUDO SE FAZ NOVO EM SUA VIDA? O problema é que muitos líderes veem o templo como algo igual ao Reino, ou como o próprio Reino de DEUS. Ao denominarem um templo erguido por homens como CASA DE DEUS, colocam-no no mesmo patamar, valor e importância do Reino celestial e glorioso do PAI, o que não tem aceitabilidade neotestamentária. A CASA DE DEUS, no tempo da Graça, é o Seu Reino e o corpo e o coração de uma pessoa que O confessa como SENHOR e SALVADOR e passa a viver em obediência a ELE. Muitos entendem que o levantar a mão em um templo, o aceitar JESUS, compreende o fim do tempo da ignorância. NOVO NASCIMENTO compreende arrependimento e nova vida; é algo de DEUS na vida do homem, interior, de dentro para fora; e não o contrário disso. Então, se o cidadão chega ao templo divorciado e em segundo casamento, aceita JESUS, e permanece do jeito que está, isso não significa, em hipótese alguma, que esse homem teve a sua vida transformada pelo SENHOR. Aos olhos de DEUS, ele permanece adúltero. Com uma diferença: antes era adúltero sem conhecimento; depois, adúltero conhecedor da Palavra e com a conivência do seu pastor. Adultério só deixa de existir em nossa vida, quando o abandonamos completamente, largamos ele fora do nosso caráter e comportamento. Se antes eu furtava; e, depois que ACEITEI JESUS dentro de um templo, permaneci furtando, significa que não houve qualquer mudança interior em mim. Na Bíblia está escrito: “Aquele que furtava, NÃO FURTE MAIS; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom…” (Efésios 4:28) (grifo meu). Também está escrito: “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, MAS O QUE AS CONFESSA E DEIXA, alcançará misericórdia” (Provérbios 28:13) (grifo meu). O apóstolo Paulo indagou à igreja em Roma: “Que diremos pois? Permaneceremos no pecado para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?” (Romanos 6:1-2). Infelizmente, muitos frequentadores de templos permanecem muito vivos para o pecado. A leitura dos versículos acima serve também para o adultério. O que o SENHOR quer saber não é apenas se o adultério continuado foi consumado no tempo da ignorância, mas se a esposa desse homem morreu, para que esse novo casamento dele tenha validade. Só dessa forma, o adultério, acompanhado de arrependimento, deixará de existir em sua vida. O versículo muito utilizado, de forma incompleta, por muitos que se dizem cristãos (“Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância…” – Atos 17:30), traz na sua continuidade: “…anuncie agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam”. O que é se arrepender? É um gesto apenas de boca? Ou representa também o abandono a toda prática pecaminosa? Zaqueu, cobrador de impostos, rico por extorquir dinheiro da população, quando teve um encontro com JESUS, disse: “Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado” (Lucas 19:8). É impossível ser amigo de DEUS e do pecado ao mesmo tempo. Não se pode querer servir a DEUS e com o objeto do furto guardado em casa. O caminho que DEUS fez estreito e reto, não podemos, de forma alguma, transformá-lo com alguns desníveis ou escapes. Ou é ou não é. Ou é sim, ou é não. O que excede a isso provém do maligno. Por fim, é preciso considerar a existência de dois tipos de IGNORANTES: 1) o que é totalmente ignorante, aquele que desconhece os ensinamentos do SENHOR; 2) e o que conhece a Bíblia de Gênesis a Apocalipse, mas ainda não têm o Espírito de DEUS; ou seja, um ignorante espiritualmente falando. Os fariseus e os escribas eram conhecedores de todo o Pentateuco, versículo por versículo, lei por lei, vírgula por vírgula; mas eram profundamente ignorantes, perdidos em sua condição espiritual. Há muitos desses fariseus hoje dentro dos templos, crendo que vão para o Céu de qualquer jeito.

    Se chegar um casal para mim, em segundo casamento originado de um divórcio (ainda que tenha cometido isso no tempo da ignorância), querendo congregar em nossa igreja, a princípio, eu o acolho, sim; mas para mostrar para ele que esse tempo da ignorância ainda não cessou na vida de ambos, mas que permanece vivo e de pé, como um tumor que se esconde em lugares difíceis de achar. Precisarei orientar, à luz da Palavra de DEUS, que ele e ela deverão se afastar do pecado do adultério, se quiserem ser igreja do SENHOR. Não posso relativizar aquilo que DEUS fez absoluto. É um casal bonito, que chama atenção, mas é um casal adúltero, . E, por ser aos olhos de DEUS, se continuar assim, . Esse casal pode ter um dízimo de 100 mil Reais por mês, mas eu não aceitarei, sem a absoluta disciplina à Palavra de DEUS. Morro materialmente miserável, mas não morro conivente com o pecado de ninguém (nem com os meus).

    Para encerrar, gostaria de externar meu grande amor e admiração por este pastor, que preferi omitir o seu nome por questão de respeito. Creio que ele seja verdadeiramente um homem de DEUS, apesar dos deslizes cometidos nessa ministração específica. Eu o amo em CRISTO JESUS e sei que só o Espírito Santo poderá convencê-lo das verdades transcritas aqui. Ele é meu fiel irmão e companheiro nas lutas contra o recasamento de pessoa divorciada. Sei que, um dia, estaremos juntos na glória de DEUS.

    No Amor de DEUS,

    FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não Mude de religião: mude de vida!”

    • paulo
      Responder
      Posted at 21:01, 17 de Janeiro de 2017

      Sendo assim reveja onde está provado que se deve dar o dízimo hoje ?
      visto que era uma ordenança judaica , não cristã ja que o senhor é tão legalista me prove
      que tenho que dar o dizimo ,e oque é o dizimo dinnheiro será????

    • Ademiro Paixão
      Responder
      Posted at 18:41, 16 de Abril de 2018

      Então, além do pecado de “blasfêmia contra o Espírito Santo”, negação da fé, para o qual, segundo o texto bíblico, não existe perdão, há outro (s)? Quer dizer que temos então um Deus rancoroso e não misericordioso? Discordo inteiramente! Quer dizer que sabendo bem, eu e Deus, pelo que passo, tenho que seguir infeliz pro resto da vida? Ah, faça-me o favor!

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